O louco:
No pátio de um manicômio encontrei um jovem com rosto pálido, bonito e transtornado. Sentei-me junto a ele sobre a banqueta e lhe perguntei:
- Por que você está aqui?
Olhou-me com olhar atônito e me disse:
- É uma pergunta pouco oportuna a tua, mas vou respondê-la.
Meu pai queria fazer de mim um retrato dele mesmo, e assim também meu tio. Minha mãe via em mim a imagem de seu ilustre genitor. Minha irmã me apontava o marido, marinheiro, como o modelo perfeito para ser seguido. Meu irmão pensava que eu devia ser idêntico a ele: um vitorioso atleta.
E mesmo meus mestres, o doutor em filosofia, o maestro de música e o orador, eram bem convictos: cada um queria que eu fosse o reflexo de seu vulto em um espelho.
Por isso vim para cá.Acho o ambiente mais sadio. Aqui pelo menos posso ser eu mesmo?
(Kahlil Gibran. Para além das palavras).
OU
Fábrica (Renato Russo)
Nosso dia vai chegar
Teremos nossa vez
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz
Não é muito o que lhe peço
Eu quero trabalho honesto
Em vez de escravidão
Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance
De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?
O céu já foi azul, mas agora é cinza
E o que era verde aqui já não existe
Mas quem me dera acreditar
Que não acontece nada de tanto brincar
com fogo
Que venha o fogo então
Esse ar deixou minha vista cansada
Nada demais
Nada demais.
Desenvolvimento:
1.Iniciar comentando "O caminho da escolha profissional tem, pelo menos, dois lados: o lado da pessoa que escolhe, e o lado da profissão (ou profissões) que serão escolhidas. Para que a escolha seja a mais acertada possível, é preciso "conversar" e conhecer estes dois lados da, talvez, decisão mais importante de nossas vidas. Primeiro é preciso conhecer-se, ou seja, saber das próprias habilidades, interesses e valores, possibilidades e limites. Depois, é preciso saber das características da outra parte: o que será que ela (a profissão) vai exigir e oferecer para mim?"
2. Escutar (se possível) e/ou ler a música "Fábrica", de Renato Russo OU o texto O louco. Depois, conversar sobre as expectativas de cada um(a) em relação ao ingresso no mercado de trabalho ou ao ingresso na empresa . O que espero? Quais caminhos profissionais "eu espero trilhar?"
Observação: se alguma(s) pessoa(s) do grupo já trabalha(m), pode(m) contar a sua experiência de ingresso e realização no trabalho (como se sente, problemas, vitórias).
3. Cada participante fala sobre a profissão ou profissões que gostaria de ter e se a cronica "O louco", tiver sido usada, conversar sobre a influência dos adultos, sobretudo, os pais, na sua escolha profissional. Em que ajudou? Em que atrapalhou?